Casa do Ribatejo 65

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

MULHER por José Alves Ribeiro









Enaltecemos-te, mulher, regaço terno,
âncora firme na maré  de inquietude,
és sonho, quimera, calor da juventude,
sol de primavera no frio do inverno.

Seara deleitosa onde fermenta o pão
do amor mais nobre e pleno de carinho,
sem a tua companhia neste caminho
da vida, esta seria um mar de solidão...


Sublime terá de ser esta homenagem
mais do que justa e que provém do coração,
no que nos resta na aventura e na viagem


que percorremos, lado a lado, em comunhão,
serás tu, por certo, a bem real miragem
que, nalgum deserto, nos vai estender a mão!

José Alves Ribeiro, fevereiro de 2012

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Trilogia de Natal José A Ribeiro

CONSOADA

Uma orvalhada no musgo que respira
uma frescura de Natal que nos consola,
uma memória quente da geada
à beira estrada que a nossa ansiedade desenrola,
eram cristais
reluzindo à luz de estrelas conhecidas
a piscar-nos lá de cima
naquela atmosfera límpida, espelhada...
eram sinais
de que estava próximo o regresso,
a revisita,
a consoada,
a ternura do borralho e da carícia.

NATAL - NEÓN

A estrelinha de Belém se bem notada
ilumina a humanidade noutra luz,
numa luz bem mais suave e delicada
do que esta do neón que nos seduz

É uma estrela de justiça, amor e paz
de que o mundo perturbado anda carente,
é uma onda de energia, bem capaz
de trazer muita alegria a toda a gente

E aonde é que ela está, onde é que mora
essa estrelinha a vibrar de ansiedade,
será uma das que espreitam além na aurora?

Ou estará no nosso peito, e na verdade
essa estrela de Natal já se demora
a brilhar no coração da humanidade!


NATAL MENINO

Afinal, neste Natal, ainda sou o teu menino
minha Mãe, o teu menino,
numa Belém que ainda vislumbro no Além
ao pé daquela estrela, aquela ali,
a alumiar uma celeste caravana,
a mesma do presépio que já vi!
Olha, Mãe, são os tais Reis,
os mesmos que há dois mil anos nos visitam
com as prendas da mais fina pedraria,
da mais rara perfeição...
mas a prenda que mais cobiço, a que eu mais queria,
é a tua companhia,
é vencer a solidão,
é ter para todo o sempre, vida fora,
o teu afago, o teu regaço, o teu carinho,
eterna Mãe,
que no Natal hei-de ser sempre o teu menino.

  José Alves Ribeiro, Dezembro de 2011

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Cais do Sodré por José A Ribeiro

Lisboa,minha segunda terra e terra dos meus amigos primeiros 


Cais do Sodré 


São comboios, são fragatas,
cacilheiros e vapores
um corrupio nas docas,
onde vão os meus amores?

É o mercado da Ribeira,
com o cacau da madrugada,
são peixeiras, são varinas
de gargantas afinadas…
são marujos, são doutores,
são madames, são moçoilas,
novos pregões de crioilas,
onde param os meus amores?

São eléctricos, são casas
pombalinas e austeras,
de craveiros nas janelas,
miram o Tejo por elas,
eu não posso visitá-las,
onde moram os meus amores?

São calçadas, são vielas,
são barzinhos de portadas
com luzinhas de mil cores
com «gorilas» nas cancelas
eu não posso entrar por elas,
onde se amam os meus amores?

José Alves Ribeiro.

domingo, 17 de julho de 2011

LEONOR por José A Ribeiro

Segue uma modesta mas muito sentida homenagem à memória
da Leonor, agradecendo que se possa fazer passar a outras e outros
colegas e eventualmente a familiares.
Um beijinho do colega Zé Ribeiro

LEONOR
Lembro-me do teu charme e do perfume
sensual que  irradiava do teu ser,
um quase inacessível eterno feminino
afinal alí tão ao pé de nós, tão envolvente,
a um tempo tão frágil, tão princesa,
e tão carente...
que connosco se cruzava dia a dia,
numa pontinha de vaidade,
em cada aula ou corredor
saudosa Leonor:
foste inesquecível nessa nossa idade a rebrotar,
irradiavas,
esbanjavas formosura e juventude...
e de repente nem me deste ocasião de despedida
eu que nunca, nunca  te pude recusar
um caderno, um livrinho, uma sebenta,
pois foste sempre e sempre serás uma colega
amiga, companheira e ternurenta
eternamente bela e eternamente querida!

José Alves Ribeiro. Março de 2011