Casa do Ribatejo 65

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quinta-feira, 19 de maio de 2016

"Enxertia de Araucária para produção de pinhão e madeira" Embrapa Colombo PR


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Curso de enxertia de araucária para produção  de Pinhão e Madeira
Interessados em aprender sobre enxertia de araucária, inclusive produção de mudas de pinhão precoce, podem se inscrever no curso "Enxertia de Araucária para produção de pinhão e madeira". Serão abertas duas turmas, uma em 03/06/2016 e outra em 17/06/2016.
O curso tem como objetivos capacitar, de forma teórica e prática, interessados na área de produção de mudas de araucária via enxertia para produção de pinhão e madeira e atualizar conhecimentos nas técnicas e processos utilizados na propagação de araucária e produção de mudas. 
Temas a serem abordados:
·   Aspectos gerais: a espécie araucária, seleção de matrizes de araucária;
·   Sementes: obtenção, armazenamento e teste de viabilidade;
·   Produção de mudas para porta-enxertos no viveiro: recipientes, substratos, adubação, semeadura e germinação;
·   Produção de mudas para porta-enxertos por semeadura direta no campo: adubação, semeadura e germinação;
·   Qualidade de mudas para enxertia;
·   Enxertia: importância e uso para espécies florestais, aspectos básicos, gradiente de juvenilidade e maturação, fatores que influenciam o sucesso;
·   Etapas e ações envolvidas na enxertia: seleção e resgate da planta matriz, formação dos porta-enxertos, coleta e transporte das brotações, locais e estruturas para realização;

·   Métodos de enxertia para araucária: borbulhia de placa, borbulhia de flauta ou canutilho, garfagem;
·   Cuidados pós-enxertia;
·   Avaliação em campo de mudas produzidas por enxertia;
·   Prática sobre enxertia de araucária;
·   Visita aos pomares enxertados em campo




Parque Estação Biológica - PqEB s/nº.
Brasília, DF - Brasil - CEP 70770-901 - Caixa Postal 8605
Fone: (61) 3448-4433 - Fax: (61) 3448-4890 / 3448-4891 


Métodos de enxertia para araucária: borbulhia de placa, borbulhia de flauta ou canutilho, garfagem;
·   Cuidados pós-enxertia;  ·   Avaliação em campo de mudas produzidas por enxertia;
·   Prática sobre enxertia de araucária;
·   Visita aos pomares enxertados em campo

Instrutores:
Dr. Ivar Wendling - Engº Florestal, Doutor em Ciências Florestais - Embrapa Florestas
Décio Adams – Técnico Florestal - Embrapa Florestas

Serviço:
- Datas: 
  • Turma 1: 03/06/2016 (prazo para inscriçao: 27/05/2016)
  • Turma 2: 17/06/2016 (prazo para inscriçao: 10/06/2016)
- Horário: 8h30 às 12h e 13h30 às 17h30
- Local: Auditório e viveiro da Embrapa Florestas (Estrada da Ribeira, Km 111 - Colombo/PR)
- Vagas: 35 (nr mínimo de inscritos para realização do curso: 25)
- Valor da inscrição (com almoço incluso): R$ 320,00
- Inscrições: solicitar ficha de inscrição ao e-mail florestas.eventos@embrapa.br (as inscrições serão efetivadas mediante o envio da Ficha de Inscrição e o pagamento do valor correspondente)
Mais informações:
(41) 3675-5633 / florestas.eventos@embrapa.br
Embrapa Florestas 
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/




Parque Estação Biológica - PqEB s/nº.
Brasília, DF - Brasil - CEP 70770-901 - Caixa Postal 8605
Fone: (61) 3448-4433 - Fax: (61) 3448-4890 / 3448-4891

https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/12173813/enxertia-de-araucaria-e-tema-de-curso-na-embrapa-florestas 

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Caríssimos amigos e colegas,
Venho-vos convidar para mais um evento organizado pelo Núcleo de Estudantes Africanos do ISA:
Desta vez, o tema em debate será o ensino de Agronomia Tropical.
Contará com a participação do prof. Mendes Ferrão, que fará um historial sobre o ensino das matérias de índole tropical do ISA, de professores do ISA que leccionam nesta área, ex-alunos que estão a fazer a sua carreira profissional na mesma. O evento culmina com um debate em que se convida vivamente os participantes, em especial os alunos (passados, presentes e futuros) a discutir a contribuição do ISA para a sua formação profissional. 
Será no Pavilhão Ferreira Lapa/Agronomia Tropical, no dia 23 de Maio (2ªf.), pelas 15h.
Os trabalhos terminam às 17:30, com um lanche bem  à maneira dos trópicos, em que se convida os participantes a partilhar algumas das suas especialidades gastronómicas.
Esperamos por vós!
Entretanto agradeço que divulguem este evento e que, logo que possível, confirmem a vossa participação, para
este mail e/ou

rubencbmoreira@hotmail.com,
eacs1991@hotmail.com
Um abraço,
Mhelena
Maria Helena Guimarães de Almeida

Professor Auxiliar
Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa
Departamento de Ciências e Engenharia de Biossistemas
Agronomia Tropical
Tapada da Ajuda
1349-017 Lisboa
Portugal
Telef. 213653246 (sec.) / 213653579 (gab.)
Telm. 965763215
E-mail: mhga@isa.utl.pt

sábado, 14 de maio de 2016

"BIÓLOGO" ANGOLANO

Este vídeo é um excerto de um programa humorístico transmitido por uma estação televisiva de Angola. Principalmente os que lá viveram vão achar muita piada às teorias do pretenso biólogo e a maneira como ele trata o apresentador. Divirtam-se!



J. Constantino Sequeira

domingo, 2 de agosto de 2015

Envio foto com interesse para  o Blog Cursos de Agronomia.

Curso de Agronomia de 1959.
Foto de 1962, num mini curso de dendrologia na Serra de Sintra.

Foto histórica pela última presença do Prof Mário de Azevedo Gomes com os alunos de Silvicultura.

Em pé: Abílio Silva, Prof Mário de Azevedo Gomes, ?, Bento de Carvalho.
Mais abaixo: Roque Melo, João Pessoa (veio a falecer no Brasil). António Medeiros.




Cumprimentos
Joaquim Roque Melo
A fórmula certa para recuperar solos pobres foi criada por portugueses
NICOLAU FERREIRA, EM COPENHAGA 

Vinte variedades de plantas dão nova vida a solos. As Pastagens Semeadas Biodiversas sugam mais dióxido de carbono do ar, enriquecem a terra e alimentam o gado. Projecto ganhou prémio europeu ambiental

O montado é um ecossistema excelente para a plantação das pastagens biodiversas, que tornam os sobreiros mais saudáveis        

1.      
Estas pastagens capturam uma quantidade anormal de dióxido de carbono, evitando a acumulação de parte do gás que mais contribui para o efeito de estufa, responsável pelo aquecimento global. Essa foi uma das razões para o projecto da Terraprima Pastagens Semeadas Biodiversas ganhar o concurso da Comissão Europeia "Um Mundo Que me Agrada", entre os 269 projectos concorrentes.
Sempre que Tiago Domingos fala sobre este projecto, o nome de David Crespo surge imediatamente. No púlpito do Teatro Real Dinamarquês, em Copenhaga, quando na quinta-feira à noite lhe foi atribuído o prémio, voltou a contar a história do engenheiro agrónomo que, na década de 1960, começou a pensar nas pastagens biodiversas.
David Crespo é hoje director do programa de investigação e desenvolvimento da Fertiprado, a empresa que fundou em 1990. Em 1966 trabalhava na Estação Nacional de Melhoramento de Plantas. Inspirado pelas pastagens que os australianos semeavam, onde utilizavam duas ou três variedades de plantas, o engenheiro começou a pensar como poderia resgatar os solos pobres portugueses.
"Em Portugal temos imensos solos diferentes. No mesmo hectare, cada pedaço de terra muda", explica Tiago Domingos. Os topos dos montes são mais secos e têm menos solo, a terra debaixo das copas das árvores é mais húmida. A geologia, fundamental na natureza dos solos, é variada no território português.
David Crespo pensou numa solução holística. O engenheiro agrícola desenvolveu uma fórmula de 20 variedades diferentes de plantas que, quando semeadas, respondem localmente. Algumas tornam-se mais dominantes consoante as condições da terra onde crescem.
O cientista escolheu espécies de leguminosas e de gramíneas. As primeiras, como o trevo-subterrâneo, têm uma relação simbiótica com bactérias que se desenvolvem em nódulos nas raízes. Estas bactérias captam azoto do ar, metabolizam e disponibilizam o azoto à planta. Desta forma, este nutriente entra no ecossistema sem ser necessário usar adubos, é depois absorvido pelas gramíneas, que se tornam uma parte importante do pasto dos animais.
Esta mistura tem uma série de benefícios. Como as espécies são anuais, resistem ao clima mediterrânico, produzem sementes e criam no solo um banco de sementes que pode manter a pastagem por décadas. As raízes das plantas, que também morrem anualmente, alimentam o solo com nutrientes.
Passados uns anos, estes solos triplicam a matéria orgânica. As pastagens alimentam mais cabeças de gado e captam mais dióxido de carbono. Também se verificou que os sobreiros que crescem nestas pastagens são mais saudáveis, e o solo é mais húmido, resistindo à seca.
Estes benefícios foram bem quantificados na última década pela equipa de Tiago Domingos. Foi assim que se descobriu que as pastagens biodiversas captam cinco toneladas de dióxido de carbono por ano por hectare.
A partir de 2008, a Terraprima obteve financiamento do Fundo Português de Carbono (FPM) para três projectos que envolveram mil agricultores. Estes tinham de comprar sementes para a pastagem, de aceitar cuidar delas segundo as regras da Terraprima e recebiam o apoio dos seus técnicos. Desta maneira, podiam ganhar entre 150 e 130 euros por hectare, pelo dióxido de carbono que as suas pastagens captam. É uma ajuda que seduz os agricultores, mas o trabalho só compensa a longo prazo, com todos os outros benefícios.
Os projectos do FPM já terminaram, mas Tiago Domingos espera envolver empresas para assim compensarem as suas emissões e a indústria alimentar para que os alimentos produzidos nestas pastagens tenham uma marca distintiva. O prémio europeu "pode ajudar a expandir este sistema dentro de Portugal e em muitos países".

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A UTILIZAÇÃO DA MICROSCOPIA ELECTRÓNICA 
                    NO ESTUDO DOS FITOVÍRUS

1.     Introdução.
A partir da altura em que a microscópia electrónica começou a ser utilizada, o conhecimento dos vírus teve um progresso gigantesco. Pode mesmo dizer-se que o uso do microscópio electrónico foi um “breakthrough” no estudo dos vírus. Data de 1939 a primeira observação de um vírus - o vírus do mosaico do tabaco, por Kausche e colaboradores .  Antes de ser possível observar directamente os vírus, nomeadamente os seus aspectos morfológicos, a sua localização nas células e tecidos dos hospedeiros, bem como as anomalias causadas a nível ultraestrutural, pouco se conseguiu saber sobre estes agentes patogénicos. Os conhecimentos obtidos com os estudos que era possível efectuar, antes do advento da microscopia electrónica, resumiam-se à sintomatologia, à forma de transmissão e um pouco da bioquímica. A microscopia óptica (fotónica) apenas permitia observar algumas inclusões celulares associadas à presença de vírus como, por exemplo, no caso do vírus do mosaico do tabaco (VMT) que induz a formação de inclusões cristalinas. O facto de este vírus atingir concentrações muito elevadas nos tecidos dos hospedeiros, tornou possível obter suspensões de vírus que facilitaram muito os estudos iniciais, sobretudo os conducentes à determinação da natureza dos principais componentes virais (proteína e ácido nucleico). No entanto, só a partir de 1939, com a observação directa do vírus, foi possível levar a cabo estudos sobre a sua morfologia. Verificou-se que o VMT é constituído por partículas (viriões) cilíndricas alongadas, com cerca de 18x300 nm. Posteriormente, graças ao elevado poder resolvente do microscópio electrónico foi possível observar viriões de muitos outros vírus de plantas, assim como a sua localização nas células e tecidos dos hospedeiros. Mais recentemente, tem sido possível observar também as moléculas do ácido nucleico viral.
Embora os estudos iniciais sobre vírus se tivessem centrado num vírus que afecta plantas (o VMT), os conhecimentos adquiridos levaram a conduzir estudos semelhantes sobre vírus que afectam os animais e, nesses estudos, a microscopia electrónica tem desempenhado sempre papel fundamental.

2.     Estudo dos fitovírus por microscopia electrónica
Antes de 1939, os estudos sobre o VMT permitiram determinar várias características do vírus, nomeadamente no que se refere a hospedeiros, sintomas causados, facilidade de transmissão através de extractos infectados e natureza química. No entanto, a maior parte da informação sobre o VMT e, posteriormente, sobre muitos outros fitovírus só foi obtida a partir de 1939, graças ao contributo da microscopia electrónica.
Foi com o uso do microscópio electrónico que se conseguiu finalmente saber que um vírus é constituído por partículas (viriões) onde está contido o genoma que é formado por ácido nucleico (DNA ou RNA). No virião, esse genoma está protegido por uma capa de proteína (capsídeo).

2.1.Estudos morfológicos
Graças à utilização do microscópio electrónico, verificou-se que os fitovírus têm viriões com formas muito diversas (Fig.1).
     Figura 1. Representação esquemática dos vários grupos de vírus de plantas


Assim, por exemplo, o VMT (Fig.2) tem viriões em forma de bastonetes rígidos com cerca de 18x300 nanómetros (nm), enquanto que o vírus Y da batateira (Fig.3) tem víriões flexuosos com 12x700nm, aproximadamente.

                      Figura 2. Viriões do VMT



                     Figura 3. Suspensão purificada do vírus Y da batateira

O vírus do mosaico da mandioca (estirpe africana), que pertence ao grupo dos “Geminivirus”, tem viriões geminados com 18x20 nm (Fig.4 e Fig.5).
               Figura 4. Suspensão purificada do vírus do mosaico da mandioca africana

                     Figura 5. Viriões geminados do vírus da mandioca africana


Existem fitovírus em que o genoma está repartido por viriões com formas diferentes. É o
caso do vírus do mosaico da luzerna que tem viriões baciliformes de 4 tipos diferentes (Fig.6).




                             Figura 6. Suspensão purificada do vírus do mosaico da luzerna.
                             Quando uma suspensão de vírus é centrifugada num gradiente de densidade, são                                                                 identificados vários componentes pelo seu posicionamento: 
                                             Tb - Top component ; M – Middle component e B – Bottom component.
                                             A barra representa 100nm.


Uma grande parte dos fitovírus tem viriões poliédricos ou isométricos, como acontece com o vírus do mosaico das cucurbitáceas que tem viriões com contorno hexagonal (Fig.7), ou o vírus do marmoreado da faveira (Fig.8).
                      Figura 7. Vírus do mosaico das cucurbitáceas

                                     
                       Figura 8 . Vírus do marmoreado da faveira

Como o VMT foi o primeiro vírus a ser estudado, foi também o primeiro a ser observado ao microscópio electrónico. As primeiras imagens obtidas eram de má qualidade  mas levaram desde logo a concluir que o vírus era formado por inúmeras partículas alongadas. Com o aperfeiçoamento dos microscópios electrónicos as imagens passaram a ter uma qualidade muito superior, permitindo estudar diversos aspectos morfológicos como o arranjo das subunidades de proteína que constituem o capsídeo (Fig.9).
                       Figura 9. Representação esquemática do capsídeo do VMT

Além do VMT, numerosos vírus que afectam plantas têm sido estudados e observados ao microscópio electrónico e estudadas as anomalias causadas nas células e tecidos dos hospedeiros. Em alguns casos, a observação dos víriões só foi conseguida depois de muitas tentativas, dada a impossibilidade de purificar esses vírus a partir do hospedeiro original e a grande dificuldade em transmitir o vírus a um hospedeiro a partir do qual fosse  possível a purificação. Foi o caso do vírus do mosaico da mandioca em que os tecidos do hospedeiro contêm latex que impossibilita a purificação. Só foi possível observar os viriões (Fig.4 e Fig.5) quando se conseguiu transmitir o vírus a um outro hospedeiro (Nicotiana benthamiana) e purificá-lo a partir deste hospedeiro.

2.2.Estudos ultraestruturais
Como foi dito, além dos aspectos morfológicos dos viriões, também a sua localização nas células e tecidos dos hospedeiros tem sido estudada com o auxílio da microscopia electrónica, assim como as anomalias causadas pelos vírus nas células e tecidos dos hospedeiros. A presença de viriões no citoplasma tem sido observada frequentes vezes e, em alguns casos, tem sido possível observar a presença de viriões nas aberturas (plasmodesmata) existentes na parede celular, levando assim a concluir que será através dessas aberturas que se dá a passagem dos vírus de célula a célula.
A análise ultraestrutural das células e tecidos infectados tem sido de grande utilidade no estudo dos fitovírus. Ficou a saber-se que alguns vírus se acumulam nas células formando  inclusões citoplásmicas onde é possível observar os viriões (Fig.10, Fig.11 e Fig. 12).
              Figura 10. Viriões (V)  no citoplasma de uma célula infectada por um fitovirus

Figura 11. Inclusão citoplásmica de viriões (V) em células de beterraba infectada por vírus


                 Figura 12. Citoplasma de célula infectada, com várias inclusões de viriões

Em alguns casos, as inclusões têm aspecto cristalino (Fig.13), como acontece com o VMT.
                        Figura 13. Inclusão cristalina contendo viriões do VMT

Em muitos casos, a presença do vírus induz a formação de estruturas anómalas (Fig. 14) que, tanto quanto se sabe, resultam da síntese de proteínas induzida nas células do hospedeiro por uma parte do genoma do vírus. No caso dos Potyvírus é frequente a observação deste tipo de anomalias.
                Figura 14. Anomalias causadas por vírus. (P - pinwheel)

O microscópio electrónico, dado o seu elevado poder resolvente, permite ainda a observação directa de moléculas de ácido nucleico, utilizando substâncias que se ligam a essas moléculas e lhes conferem uma espessura suficiente para poderem ser observadas. Foi assim que se verificou que as moléculas do ácido nucleico genómico dos geminivírus são circulares (Fig.15).
Figura 15. Moléculas circulares do ácido nucleico do Vírus do Mosaico da Mandioca Africana


3. Conclusão
Com esta modesta contribuição pretendeu-se dar uma ideia, ainda que pálida, das aplicações da microscopia electrónica ao estudo dos fitovírus.

Além dos fitovírus, têm sido estudados através da microscopia electrónica os vírus que afectam animais assim como numerosos microrganismos observáveis ao microscópio óptico mas cujo estudo ficará muito mais completo com a utilização do microscópio electrónico, tanto de transmissão como de varrimento. A utilização do microscópio electrónico generalizou-se desde o seu aparecimento e praticamente todas as instituições de investigação e de ensino dispõem hoje deste valioso instrumento de trabalho.

* * *
José Constantino Sequeira

terça-feira, 10 de julho de 2012


                                   A MICROSCOPIA ELECTRÓNICA
  1. 1.     Introdução

Quase toda a minha vida profissional foi dedicada ao estudo das doenças causadas por vírus em plantas, os chamados Fitovírus. Os constituintes de um vírus (partículas virais ou viriões), dada a sua pequeníssima dimensão, só podem ser observados utilizando um microscópio electrónico. Este equipamento foi imprescindível para os trabalhos de investigação que realizei e que se centraram não só na observação directa dos vírus e análise dos seus aspectos morfológicos,  mas também no estudo ultraestrutural das anomalias por eles causadas nas células e tecidos das plantas infectadas. Dado o interesse ou curiosidade que a microscopia electrónica poderá despertar nos colegas menos familiarizados com esta técnica, achei que poderia transmitir alguns dos conhecimentos que adquiri ao longo da minha experiência.
A minha ligação à microscopia electrónica começou em 1967, na Estação Agronómica Nacional (EAN), em Oeiras, quando iniciei o estágio de fim de curso cujo tema foi o estudo das viroses do morangueiro. Como nessa altura a EAN não dispunha ainda de microscópio electrónico, tive de socorrer-me do microscópio existente no Instituto Gulbenkian de Ciência, graças à amabilidade do Prof. David Ferreira, que nessa altura tinha em curso trabalhos de colaboração com a Dr.ª Maria de Lourdes Borges, minha orientadora de estágio. O microscópio electrónico era um Siemens Elmiskop 1 (Fig.1).


Figura 1- O “velho” microscópio Siemens Elmiskop 1

Após concluir o curso de Agronomia, fui trabalhar para o Instituto de Investigação Agronómica de Angola, no Huambo. Felizmente, havia em Luanda, na Faculdade de Medicina, um microscópio electrónico que tive a possibilidade de utilizar sempre que necessário. Esse microscópio era idêntico ao do Instituto Gulbenkian de Ciência e o único inconveniente que tinha era a sua localização, a mais de 600 quilómetros do Huambo o me que obrigava a programar criteriosamente as deslocações a Luanda.
A partir de 1975, quando regressei à EAN, já esta dispunha de microscópio electrónico, um Philips EM 300 (Fig.2), que me permitiu, durante quase 30 anos, realizar a maior parte dos trabalhos de investigação em Virologia Vegetal. No trabalho de doutoramento, efectuado na Escócia (Dundee) de 1979 a 1982, utilizei também, curiosamente, um microscópio Philips (EM 301), praticamente igual ao da EAN.


Figura 2. O microscópio electrónico Philips EM 300

Da longa relação que tive com a microscopia electrónica posso dizer que foi para mim aliciante ou até mesmo “viciante” descobrir, através dela, o mundo dos vírus das plantas, muito especialmente os seus aspectos morfológicos que são muito variados e a sua presença nas células e tecidos. Muitas das observações que realizava na EAN prolongavam-se até tarde, frequentemente pela noite dentro e quando observava algo de muito interessante, o entusiasmo era tal que, muitas vezes,  só depois das 22 horas desligava o microscópio. E diga-se que era com grande pena que o fazia. Também em inúmeras aulas que dei a turmas do ensino secundário e universitário verifiquei o grande entusismo manifestado pelos alunos em relação ao microscópio electrónico e às suas potencialidades. É sem dúvida uma ferramenta fundamental para o estudo dos vírus que afectam não só as plantas mas também os animais.

  1. 2.      A  microscopia óptica e a microscopia electrónica.

Provavelmente todos os colegas utilizaram a microscopia óptica mas muitos não tiveram oportunidade de utilizar a microscopia electrónica nos seus estudos e, por isso,  desconhecerão os princípios em que esta técnica se baseia. Não pretendo de forma alguma descrever detalhadamente todos os aspectos técnicos que tornariam o texto exageradamente longo e árido, mas apenas explicar resumidamente os princípios em que a microscopia electrónica se baseia e fazer algumas comparações com a microscopia óptica.
Como é do conhecimento geral, a principal característica de um microscópio é o seu poder resolvente que é medido como a menor distância entre 2 pontos que são vistos ao microscópio como distintos. Assim, se o poder resolvente de um microscópio for de 200 nanómetros, isto quer dizer que dois pontos que distam entre si de 200 nanómetros ainda são vistos ao microscópio como pontos distintos. Se estiverem a uma distância inferior, as imagens observadas sobrepõem-se e não permitem concluir se os pontos estão ou não separados.
Uma grande ampliação das imagens obtidas num microscópio de nada serve se o poder resolvente não for bom. Em vez de imagens com muito pormenor e com grande informação, teremos “borrões” sem qualquer interesse.
O microscópio óptico começou a ser utilizado no começo do século XVII. Muitos atribuem a invenção do microscópio a Galileu mas foi Anton Van Leeuwenhoek (Fig.3), naturalista holandês(1632-1723) quem o aperfeiçoou e utilizou na observação de seres vivos. Dotados de apenas uma lente de vidro estes primitivos microscópios permitiam aumentos de até 300 vezes com razoável nitidez.

Figura 3.  Anton Van Leeuwenhoek

Construído  em 1674, o primeiro microscópio (Fig. 4 ), permitiu observar os glóbulos vermelhos do sangue, vários microrganismos e bactérias de apenas 1 a 2 micra.

                                                                       Figura 4. O Microscópio de Leeuwenhoek 

O microscópio simples de Leeuwenhoek, foi aperfeiçoado por Robert Hooke (1635-1703), que lhe acrescentou mais uma lente e, deste modo, conseguiu ampliações maiores (Fig.5). As primeiras observações de um pedaço de cortiça feitas por este cientista inglês em 1655 e os estudos do holandês Leeuwenhoek levaram à descoberta das células. Porém, somente em 1839, com o botânico Matthias Jacob Schleiden (1804-1841) e com o zoólogo e fisiologista Theodor Schwann (1810-1882), ambos da Alemanha, foi reconhecida a célula como a unidade fundamental da vida.

                                  Figura 5.   O Microscópio de Hooke e imagens das células da cortiça


Quando se estudou a forma de melhorar o poder resolvente do microscópio óptico (fotónico), verificou-se que essa característica dependia essencialmente das lentes (material constituinte e curvatura) e do comprimento de onda da luz utilizada. Em relação às lentes chegou-se a um limite a partir do qual já não era possível uma melhoria. O comprimento de onda da luz utilizada estava também limitado entre os 400nm (ultravioleta) e os 700nm (infravermelho), uma vez que essa luz é a luz visível. Como o poder resolvente de um microscópio é cerca de metade do comprimento de onda da radiação utilizada, na melhor das hipóteses, será de 200 nanómetros para a luz visível.  Para se utilizar uma “luz” de comprimento de onda mais favorável, ou seja, muito mais baixo, teríamos que sair do espectro visível e, portanto, qualquer imagem obtida seria invisível.
Assim, a construção de um microscópio com melhor poder resolvente do que o dos microscópios ópticos existentes parecia uma tarefa impossível. Contudo, quando se descobriu que certas radiações invisíveis, como por exemplo os raios X, poderiam formar imagens visíveis por impressão de uma chapa fotográfica ou por projecção num painel fluorescente, a ideia de construir um microscópio utilizando uma radiação de baixo comprimento de onda começou a concretizar-se. Pode pois dizer-se, em termos simples, que a microscopia electrónica se baseia na utilização de uma radiação (fluxo de electrões) de baixo comprimento de onda.

  1. 3.    Os primeiros microscópios electrónicos

Apesar de se conhecerem as bases para se poder construir um microscópio electrónico, foi necessário resolver vários problemas. O primeiro desses problemas foi a produção da radiação com as características pretendidas. Conseguiu-se utilizando um filamento especial, de tungsténio, que emite electrões quando por ele se faz passar uma corrente eléctrica. No entanto, era necessário que esses electrões fossem orientados formando um fluxo ou feixe de radiação e que essa radiação tivesse um poder de penetração suficiente para atravessar um objecto e definir uma imagem desse objecto, tal como acontece nos microscópios ópticos. Isso conseguiu-se criando uma grande diferença de potencial (voltagem) entre o local onde os electrões são produzidos (filamento emissor de electrões) e o local onde são projectados (painel fluorescente). Como os electrões têm carga negativa, são atraídos para uma zona com carga positiva, com tanto mais intensidade quanto maior for a diferença de potencial existente.
Para a formação de imagens ampliadas de um objecto, há necessidade de obrigar o feixe de electrões a ter um comportamento semelhante ao da luz visível nos microscópios ópticos quando atravessa as lentes (convergentes). É claro que as vulgares lentes utilizadas nos microscópios ópticos não teriam qualquer acção sobre a radiação electrónica. No entanto, as investigações do físico alemão Bush (1926) sobre a trajectória dos electrões em campos magnéticos demonstraram que um fluxo de electrões é desviado ao passar por um campo magnético e, assim, criando campos magnéticos adequados, seria possível obrigar um feixe de electrões a comportar-se exactamente como um feixe de luz visível se comporta ao atravessar uma lente de vidro. Foram assim construídas as chamadas “lentes magnéticas” ou “electro-magnéticas” que não são mais do que bobines de fio de cobre enrolado, constituindo cilindros ocos, por onde se faz passar uma corrente eléctrica que pode ser regulada através de um reóstato. Como é sabido, ao fazer-se passar uma corrente eléctrica através de um fio de cobre enrolado (bobine), cria-se um campo magnético. O feixe de electrões ao passar pelo interior desses cilindros sofre um desvio, mais ou menos acentuado, conforme a corrente introduzida na “lente” é mais forte ou mais fraca.
Uma outra dificuldade a tornear era a existência de partículas no ar com as quais os electrões colidiam. Isto foi impedido criando um compartimento estanque (coluna do microscópio) onde é feito o percurso do feixe de electrões e de onde é retirado o ar existente através de bombas de vácuo adequadas.
Tendo consciência dos vários problemas e da forma de os resolver, o físico alemão Ruska e seus colaboradores, tentaram então construir um microscópio electrónico. Foi em 1931 que Ruska e Knoll construiram  o que pode ser descrito como o primeiro microscópio electrónico, no sentido moderno (Fig. 6).

Figura 6. O microscópio electrónico construído por Ruska e Knoll em 1931

Este protótipo foi gradualmente aperfeiçoado, com vista a ter um desempenho consideravelmente melhor do que um microscópio de luz convencional) e só depois de 1933 conseguiram construir microscópios electrónicos cujo poder resolvente ultrapassava largamente o dos microscópios ópticos. Ruska foi então contratado pela Siemens e participou do desenvolvimento do primeiro microscópio electrónico produzido comercialmente, que entrou no mercado em 1939 (Fig.7).

Figura 7.  O primeiro microscópio electrónico comercializado pela Siemens em 1939

Em 1986 foi atribuído a Ruska o Prémio Nobel da Física pela sua contribuição para o avanço da ciência. Transcreve-se parte do texto referente à atribuição do Prémio Nobel a Ruska:
“The German engineer Ernst August Friedrich Ruska (1906-1988) designed and built the first electron microscope, for which he was awarded the Nobel Prize in Physics in 1986. The electron microscope, like many other complex technological developments based upon current scientific research, cannot be associated exclusively with a single inventor. In the early 1930s several laboratories were at work on a super-microscope that would use electron waves, instead of light waves, to magnify a microscopic specimen. However, it is generally agreed that the German engineer Ernst Ruska designed and built the first working electron microscopes (1931-1933). Ruska's contribution to the science of physics, and to its applications in the fields of biology and medicine, was recognized in 1986 when he was awarded the Nobel Prize along with two other pioneers of modern microscopy, Gerd Binnig and Heinrich Rohrer.”

  1. 4.     Principais componentes de um microscópio electrónico

Um microscópio electrónico é essencialmente constituído por:

- Coluna onde se faz o percurso dos electrões.
- Filamento emissor de electrões na parte superior da coluna.
- Lentes (magnéticas) condensadoras com a função de fazerem convergir os electrões sobre o objecto.
- Porta objectos com mecanismo adequado para pequeníssimas deslocações do objecto.
- Lente objectiva destinada a ampliar a imagem e projectá-la sobre o painel fluorescente.
- Painel fluorescente onde se projecta a imagem ampliada do objecto.
- Câmara fotográfica com mecanismo de deslocação das películas e tempo de exposição regulável.
- Gerador de alta voltagem
- Bombas de vácuo
- Sistema de refrigeração.
- Lupa (óptica) para observar melhor as imagens projectadas no painel fluorescente
 Nos microscópios mais completos há ainda lentes adicionais (de difração, intermédias e projectoras), para obtenção de imagens mais ampliadas e mais pormenorizadas.
 Apresenta-se o esquema simples de um microscópio electrónico (Fig.8):

                                          Figura 8.   Esquema de um microscópio electrónico

 

 5.   Microscópios electrónicos de transmissão e de varrimento

Os microscópios electrónicos inicialmente construídos eram microscópios de transmissão. Na microscopia electrónica de transmissão, o feixe de electrões atravessa o objecto formando uma imagem bidimensional deste. Para isso ser possível, o objecto tem que ser de muito pequena espessura.
Mais recentemente foram concebidos microscópios electrónicos em que o objecto é “varrido”  por um  feixe de electrões que colidem com a superfície desse objecto, previamente metalizada, para que sejam libertados os chamados electrões secundários. Estes electrões, recolhidos por colectores especiais colocados em diferentes posições, permitem formar imagens que, por integração, constituem a imagem final, tridimensional, do objecto.
Embora tenham a vantagem de permitir obter imagens tridimensionais dos objectos, os microscópios electrónicos de varrimento têm um poder resolvente de cerca de 10 nanómetros, que é bastante mais fraco que o dos microscópios electrónicos de transmissão que têm um poder resolvente 100 a 200 vezes melhor.
Os microscópios de varrimento são muito úteis em várias áreas científicas como, por exemplo, na entomologia, permitindo analisar pormenorizadamente aspectos morfológicos com grande valor para a sistemática dos insectos.

 

6.    Algumas datas importantes na evolução da microscopia electrónica

   1873  Abbe e Helmholtz provam que o poder resolvente depende do comprimento de onda da
              fonte de energia
1897 Descoberta do electrão por J.J. Thompson
1924  De Broglie demonstra que os electrões têm propriedades ondulatórias
1927 Hans Busch demonstra que os feixes de electrões podem ser focalizados por
         campos magnéticos.
1931  Ernst Ruska e Max Knoll construiram o primeiro microscópio electrónico
          de transmissão.
1937  A empresa Metropolitan Vickers comercializa um protótipo do microscópio electrónico
1938  Von Ardenne constrói o primeiro microscópio electrónico de varrimento
1939  Primeiro microscópio electrónico de transmissão comercializado pela Siemens
~1940 Estudos teóricos sobre lentes magnéticas (W. Glaser, O. Scherzer)
1941 A empresa RCA comercializa um microscópio electrónico nos Estados Unidos da América
1954  É introduzido no mercado o microscópio electrónico Elmiskop 1
1964  Primeiro microscópio de varrimento comercializado pela Cambridge Instruments
1986  Prémio Nobel para  E. Ruska (juntamente com G. Binning e H. Rohrer)
~2000  Microscópio electrónico com correcção de aberração (H. Rose, M. Haider, K. Urban)
~2003  Conseguem-se resoluções abaixo de 1 angstrom (0,1 nanómetros)

  1. 7.  Conclusão

Desde a sua criação nos anos 30, o microscópio electrónico tem tido grandes aperfeiçoamentos. O poder de resolução foi progressivamente melhorado e chega actualmente a valores moleculares. O limite teórico do poder resolvente, para as voltagens normalmente utilizadas, é da ordem de 0,5 - 1 angstrom (1 angstrom é a décima parte do nanómetro). Na prática já foram  alcançadas resoluções desta ordem como acontece, por exemplo, como o microscópio Titan 80-300 (Fig.9). Este microscópio, produzido pela Empresa FEI, reune os aperfeiçoamentos mais recentes, como a correcção da aberração, e  tem uma resolução de 0,5 angstroms. É considerado o melhor microscópio electrónico disponível no mercado mas tem o inconveniente de ser comercializado a um preço muito elevado (15 milhões de dólares). Por isso, só muito poucas instituições tiveram possibilidade de o adquirir.

         Figura 9. O microscópio Titan  80-300.
                                                                
O microscópio electrónico, pelas suas características, nomeadamente pelo seu poder de resolução muito elevado, têm grande importância nos estudos científicos, muito particularmente nas áreas da medicina, da biologia, da química e da ciência de materiais. Como foi referido inicialmente, é o único instrumento que permite observar partículas virais, não só em suspensões purificadas como em inclusões nos tecidos. Por esta razão, é indispensável nos estudos das doenças causadas por vírus tanto em plantas como em animais.
Numa próxima contribuição referirei alguns aspectos da utilização do microscópio electrónico  nos estudos de fitovirologia.


José Constantino Sequeira