Casa do Ribatejo 65

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domingo, 13 de novembro de 2011

Curiosidades Agronómicas 2 Gramíneas Andropogóneas

                                                
                                                    Família botânica - Poaceae ( Gramineae)
                                                    Sub-Família - Panicoideae
                                                    Tribo - Andropogoneae

Vetiver  - Vetiveria zizanioides ( L.) Nash ou  Chrysopogon zizanioides ( L.) Roberty ou Andropogon zizanioides ( L. ) Urb.                                                     
Origem-Indochina
Usos:  Utiliza-se-se para diversos fins como a tinturaria, a perfumaria e também muito plantada na      Índia, Indonésia, Tailândia e outras regiões tropicais e sub-tropicais para a cobertura
   do solo como defesa contra a erosão.

Erva-príncipe, capim-santo, capim-cidreira ou capim-limão-Cymbopogon citratus  ( DC) Stapf. ou Andropogon citratus L.
Orig- Índia
Usos – planta aromática e medicinal muito usada para infusões (chás).

Palha-da-guinéHyparrhenia hyrta  (L.) Stapf.  de hypo – de baixo e arren – masculino – tem as espiguetas masculinas na parte de baixo dos rácimos.Tb/ denominada  Andropogon hyrtus L. e ainda Hyparrhenia podotricha (Schimper) Andersson ex Romero Zarco
Origem – África mas estendendo-se à Bacia Mediterrânica e ao Indostão e Paquistão.
Surgem duas sub-espécies no n/ país – a ssp. hirta, apenas no Algarve e a ssp.pubescens ( Andersson) Paunero, em quase todo o país, nas regiões mais quentes, do nosso meso e termo-mediterrâneo, em locais erosionados ou pedregosos e soalheiros, e, por tal, preferindo os taludes. Frequente nos taludes naturais de xisto pedregoso das sub-beiradas do rio Douro, sobretudo a do lado norte, mais soalheira e mais quente.

Palmarosa ou gerâneo-da-índia Cymbopogon martinii ( Roxb.)Wats.
Origemsub-cont. Indiano -
Usos – Sendo rica num óleo essencial denominado geraniol, (e daí o nome «gerâneo-da-índia» ) esta espécie é utilizada na medicina caseira e na cosmética, sendo tb/ excelente como repelente de insectos e outras pragas.

Nota final: Nesta tribo de Gramíneas ou Poáceas, na tribo das  Andropogóneas, estão estas e muitas outras espécies vulgarmente designadas como capins, sobretudo nas regiões tropicais e sub-tropicais.


Notas compiladas por José Alves Ribeiro.

sábado, 12 de novembro de 2011

No início do Jubileu confraternizámos.29.10.11.. Fotógrafo António Jorge Baptista

Esta foto que tirei no encontro, tem para mim uma certa piada quer pelo gesto dos intervenientes quer pela expressão dos mesmos.                   António Jorge Baptista

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Cais do Sodré por José A Ribeiro

Lisboa,minha segunda terra e terra dos meus amigos primeiros 


Cais do Sodré 


São comboios, são fragatas,
cacilheiros e vapores
um corrupio nas docas,
onde vão os meus amores?

É o mercado da Ribeira,
com o cacau da madrugada,
são peixeiras, são varinas
de gargantas afinadas…
são marujos, são doutores,
são madames, são moçoilas,
novos pregões de crioilas,
onde param os meus amores?

São eléctricos, são casas
pombalinas e austeras,
de craveiros nas janelas,
miram o Tejo por elas,
eu não posso visitá-las,
onde moram os meus amores?

São calçadas, são vielas,
são barzinhos de portadas
com luzinhas de mil cores
com «gorilas» nas cancelas
eu não posso entrar por elas,
onde se amam os meus amores?

José Alves Ribeiro.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Professor Mário Azevedo Gomes, o parque da Pena e a Condessa de Edla


No passado mês de Setembro, numa ensolarada manhã de Sábado, resolvi  visitar o palácio da Pena, onde já não ia há uns largos anos. No final da visita, fui passear pelo parque florestal onde, como sabem, fazíamos o exame prático de Silvicultura.
Este passeio teve como principal objectivo recordar o exame com o Prof.  Azevedo Gomes (filho, porque no nosso curso o pai já estava jubilado). Lembrei-me daqueles dois dias em que calcorreámos a serra de Sintra a aprender os nomes das várias espécies florestais e do 3º dia, o do exame, também a caminhar pela serra e a desbobinar o que tínhamos aprendido nos dois dias anteriores.
Fui, pois, reviver os momentos passados nessa altura e, ao contemplar aquelas árvores majestosas, vieram-me à memória diversos nomes: Pinus, Sequoia, Chamaecyparis, Larix, Abies e outros. Alguns desses nomes já estavam quase esquecidos mas iam surgindo na memória à medida que caminhava.
A certa altura reparei numa tabuleta que indicava:  Chalet da Condessa.
Com grande curiosidade, porque nunca tinha ouvido falar desse chalet, segui o itinerário indicado e, ao fim de uns bons 20 minutos, deparei com uma interessante construção em recuperação. Soube pelas informações colhidas no local que era o chalet da Condessa de Edla e que estava a ser restaurado porque em 1999 tinha sido muito afectado por um incêndio.
Soube também que o Prof. Mário de Azevedo Gomes que nutria grande carinho pelo parque da Pena era neto da Condessa de Edla.
Tentei então informar-me melhor sobre esta família e reproduzo aqui a parte mais interessante do que consegui saber:

Mário de Azevedo Gomes nasceu em Angra do Heroísmo (Açores) por altura do Solstício de Inverno de 1885 (22.12.1885), sendo filho de Manuel de Azevedo Gomes e Alice Hensler, a filha de Elisa Hensler, mais conhecida por Condessa d'Edla. Era, pois, neto – o único neto rapaz – da Condessa d'Edla.
Casou com Cristina Leopoldina Sousa de Menezes Marcellin Chambica (1891-1982) em Sintra, a 07.08.1918, e teve 7 filhos (5 meninas e 2 rapazes, que se tornaram silvicultores – como o pai – e trabalharam também na elaboração da Monografia do Parque da Pena).”
Durante a década de 50 e início dos anos 60, orientou e elaborou vários estudos dedicados ao Parque da Pena: solos, clima e aspectos dendrológico-florestais.
Em 1960 publicou a obra que eternizou a sua paixão pelo Parque da Pena: a Monografia do Parque da Pena, na qual descreve detalhadamente o património natural e edificado do Parque e da anexa Tapada do Mouco, bem como de outros espaços adjacentes, como o Castelo dos Mouros, Tapada do Inhaca, entre outros.
Obra científica de assinalável rigor e profundidade, a Monografia apresenta também várias informações adicionais de relevante interesse para um mais profundo conhecimento da Pena, e o tom em que foi escrita transpira um Amor por aquele chão que deveria presidir a toda e qualquer intervenção no interior do Parque...
De acordo com João Rodil, conhecido investigador e escritor sintrense, a Monografia foi impulsionada pelo ciclone de 1941 (15.02.1941), que devastou todo o país, e que em Sintra – e na Pena – deixou profundas marcas. 
Volvidos 48 anos após a sua publicação, a Monografia é ainda a principal fonte de informação sobre o Parque da Pena”.


Sobre a Condessa d’Edla e o chalet, obtive também informações interessantes:


A Condessa de Edla


                                                          Elisa Hensler, condessa d'Edla


“Elise Friederike Hensler (La Chaux-de-Fonds, Neuchâtel, 22 de Maio  Maio de 1836  Lisboa, Coração de Jesus, 21 de maio de 1929), titulada Condessa de Edla, foi a segunda esposa de Fernando II de Portugal, viúvo de D. Maria II.

Família e educação

De origem suíça-alemã, Elise Hensler era filha de Johann Friederich Conrad Hensler e de sua esposa, Louise Josephe Hechelbacher, e nasceu em La Chaux-de-Fonds, em Neuchâtel.
Aos doze anos, emigrou com a família para Boston, nos Estados Unidos, onde recebeu uma cuidadosa educação. Amante das artes e das letras, terminou os seus estudos em Paris. Ao longo dos anos, tornou-se fluente em sete idiomas.

Carreira

Após o término de sua educação, Hensler actuou no Teatro Alla Scala, em Milão, Itália. No dia de Natal de 1855, em Paris, aos dezanove anos, ela deu à luz uma menina, batizada Alice Hensler, cujo pai era desconhecido, sendo provavelmente um conde de Milão, do qual esteve noiva.
No dia 2 de Fevereiro de 1860, Elise chegou a Portugal, integrada na Companhia de Ópera de Laneuville, para cantar no Teatro Nacional São João, em Porto. Actuou em seguida no São Carlos, em Lisboa, no dia 15 de Abril de 1860. Interpretava o pagem da ópera "Um Baile de Máscaras", de Verdi.
D. Fernando II apaixonou-se pela bela cantora, então com vinte e quatro anos.
Além de cantora e actriz, Hensler era escultora, ceramista, pintora, arquitecta e floricultora.

Casamento com D. Fernando

Em 10 de Junho de 1869, desposou  D. Fernando II, em Benfica. O rei de Portugal era então o segundo filho de Fernando, D. Luís I. O título de condessa foi-lhe concedido dias antes da cerimónia por Ernesto II, Duque de Saxe-Coburgo-Gota.
A imprensa e a nobreza portuguesa dividiram-se na apreciação do casamento entre o rei e a ex-cantora de ópera. Talvez por isso ela foi quase esquecida da História de Portugal.


                                                                D. Fernando II e Elise Hensler

Vida como esposa

O casal gostava de se refugiar em Sintra, onde D. Fernando tinha comprado o abandonado Mosteiro da Nossa Senhora da Pena. Deve-se o actual património florestal da serra de Sintra a D. Fernando, que sempre foi apaixonado pela botânica, e à cumplicidade da condessa d'Edla. Como resultado, as plantações do Parque da Pena intensificaram-se por volta de 1869 tendo Elise introduzido diversas espécies arbóreas. O rei e a condessa tiveram o apoio do cunhado americano de Hensler, o silvicultor John Slade.
No meio do parque, a condessa iniciou a construção do chamado Chalet (chalé em Português), que ela mesma projectou, em estilo das casas rurais norte-americanas. Mulher culta, dedicou-se com o marido ao patrocínio de vários artistas, entre eles o mestre Columbano Bordalo Pinheiro e o pianista Viana da Mota.
Em 1999, o chalet da condessa d'Edla foi consumido por um incêndio, sendo abandonado desde então.

Últimos anos e morte

                                                   
Em 1885, D. Fernando faleceu e, em testamento, deixou à sua viúva todo os seus bens, incluindo o Castelo dos Mouros e o Palácio da Pena, ambos em Sintra. Foi D. Carlos I que, pagando 410 contos à condessa, conseguiu recuperar os dois castelos.
Elise Hensler, depois disso, abandonou Sintra e passou a viver com sua filha Alice, que se casou com Manuel de Azevedo Gomes. Faleceu em Lisboa, aos noventa e dois anos, vítima de uremia.
A condessa d’ Edla recebeu na morte o tratamento e as honras de uma figura de Estado; a rainha D. Amélia e o deposto rei D. Manuel II mandaram o visconde de Asseca como seu representante ao funeral.

O Chalet


História
Entre 1864-1869, D. Fernando II e a sua segunda mulher, Elise Hensler, Condessa d’Edla, desenvolveram, na designada Tapada da Vigia, uma forte intervenção paisagista de expansão do Parque da Pena, criando, numa área com cerca de 8 hectares dois novos espaços de elevado valor patrimonial e artístico: o Jardim da Condessa d’Edla, que envolve o Chalet, e a Quinta da Pena, entre o vale dos Lagos e o Chalet. Da Quinta da Pena já existiam, pelo menos, a Abegoria e o Aviário, mas datam da construção do Jardim as estufas e algumas casas de apoio a actividades agrícolas.
Influenciados pelo espírito coleccionista da época, D. Fernando II e a Condessa d’Edla, reuniram nestas áreas do Parque da Pena espécies botânicas provenientes dos quatro cantos do mundo, de que são especial exemplo os fetos arbóreos da Austrália e Nova Zelândia, cuidadosamente introduzidas de modo a criar um cenário romântico repleto de dramatismo. A aquisição de plantas inicia-se por volta de 1866, com grande envolvimento da Condessa.
Em 1885, D. Fernando torna a Condessa d’Edla herdeira de todos os seus bens, nomeadamente do Palácio e Parque da Pena, incluindo o Chalet e o Jardim “para que esta continue a sua obra”. Sob forte pressão pública, este testamento foi contestado pelo filho de D. Fernando, o Rei D. Luís, acabando o Estado por acordar com a Condessa, em 1889, a aquisição destes bens ficando esta como usufrutuária do Chalet e Jardim envolvente.
Em 1904, a Condessa renuncia a este usufruto e retira-se definitivamente do seu Jardim e Chalet.
Após a queda da Monarquia em 1910, o Palácio transita para a tutela do Ministério da Fazenda e o Parque e Chalet para a das Matas Nacionais (Ministério da Agricultura).
Na segunda metade do século XX, a falta de manutenção do Parque da Pena foi responsável pela sua grande degradação, de tal modo que, em 1994, o Conselho de Ministros, entregou a sua tutela ao Ministério do Ambiente, que imediatamente encomendou um Plano de Recuperação e Valorização, coordenado pelo Instituto Superior Técnico em colaboração com a Universidade de Aveiro.
Este plano não chegou a ser posto em prática.
Em 2000 foi constituída a sociedade de capitais exclusivamente públicos Parques de Sintra – Monte da Lua, SA (PSML) a quem foi confiada a gestão das principais propriedades do Estado situadas na zona da Paisagem Cultural de Sintra, Património da Humanidade, nomeadamente o Parque da Pena.
Na sequência de uma bem sucedida candidatura ao fundo EEA-Grants (fundamentalmente financiado pela Noruega) a PSML iniciou, em 2007, a recuperação do Chalet e, em 2008, através de uma nova candidatura, o restauro do Jardim da Condessa d’Edla e da Quinta da Pena.

O Edifício
O Chalet é um edifício com uma forte carga cénica (segundo o espírito romântico da época), caracterizado pela marcação horizontal do reboco exterior, pintado a imitar um revestimento em pranchas de madeira, e pelo uso exaustivo da cortiça como elemento decorativo.
A planta térrea é rectangular e a superior tem a forma de cruz.
As paredes do piso superior apoiam-se em arcos atirantados e encastram lajes de pedra de uma varanda a toda a volta. As coberturas, em telha cerâmica com interessante acabamento artesanal, são de duas águas na zona central e de uma água nos quatro cantos inferiores.
No interior, a organização em planta é muito simples: no piso térreo uma escada central, salas principais voltadas ao Palácio e compartimentos de serviço a Poente; no superior, um quarto de dormir mais amplo, virado também ao Palácio, e três compartimentos de apoio.
De novo são as soluções decorativas que merecem destaque: a pintura mural das escadas, do vestíbulo nobre, do tecto do quarto principal e do toilette da Condessa (ou quarto das Rendas), bem como o estuque decorativo da sala (das Heras), o revestimento em azulejo azul e branco da cozinha e, sobretudo, os painéis de embutidos de cortiça e madeira que revestiam as paredes e tecto da sala de jantar e do quarto de vestir do Rei.
A estrutura interior de pavimentos, tectos, escadas e paredes divisórias era em madeira e foi destruída pelo incêndio. A qualidade do projecto e construção é reduzida mas a dos acabamentos decorativos é muito boa, sabendo-se que os estuques foram da autoria de Domingos Meira e a pintura mural é atribuída a Domingos Freire.”



E aqui está como um simples passeio me levou a descobrir informações muito interessantes sobre a família Azevedo Gomes e as suas ligações à Silvicultura e ao Parque da Pena em Sintra.


José Constantino Sequeira 

Curiosidades Agronómicas - 1 Vetiver Raízes contra a erosão

Vetiver  Raízes contra a erosão 


O vetiver, planta de origem indiana atinge entre um a três metros de altura e cujas raízes penetram no solo até três metros de profundidade, num raio de 25 metros, substituiu eficazmente o bambu no combate à erosão dos solos no Congo Brazzaville. As raizes, depois de secas e cortadas, podem ser destiladas para extração de um óleo essencial espesso e de cor âmbar, constituído principalmente por vetivona, e que é conhecido como VetiverVetivertKhus khusKhas khas, ou Óleo da tranquilidade, na Índia. O óleo é usado como fixante em perfumaria. O odor é profundo, com acentos de terra, madeira e citrinos, sendo muito persistente. É usado em aromaterapia para aliviar o stress e relaxar. Tem também propriedades febrífugas..
Em Angola, antes de 1975, a empresa Cuca tinha  industria de extração do óleo e a produção era desenvolvida  em parceria com agricultores do planalto central angolano. 
No Congo Brazzaville o vetiver se encontra plantado, nos campos, ao longo de valas, sobre as margens dos canais ou no flanco das colinas, o vetiver previne a erosão dos solos e retém a terra. Há já três anos que  plantam vetiver para estabilizar os terrenos e impedir a destruição dos solos devido à erosão das ravinas, provocada por chuvas torrenciais. Este procedimento simples e de baixo custo revelou-se muito eficaz. As primeiras experiências bem-sucedidas foram a estabilização das encostas da estrada de Moukondo-Matari, num percurso de 6 km no bairro Norte de Brazzaville e a da estrada nacional n.º 1 no troço Brazzaville-Kinkala, ao sul de Brazzaville, cobrindo uma distância de 77 km. Os congoleses lançaram-se assim na cultura do vetiver, que é vendido entre 1000 e 2500 FCFA (1,53 € e 4 €) por saco de 20 kg. 


Adaptado de http://spore.cta.int/index.php?option=com_content&task=view&lang=pt&id=1712&catid=31


Notas compiladas por  Margarida Dias da Silva